sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Samaritano

Deus me proteja da sua inveja, Deus me defenda da sua macumba, Deus me salve da sua praga, Deus me ajude da sua raiva, Deus me imunize do seu veneno, Deus me poupe do seu fim. Deus me acompanhe, Deus me ampare, Deus me levante, Deus me dê força. Deus me perdoe por querer que Deus me livre e guarde de você. (Rita Lee)

Um dia Jesus estava se preparando para ir com os seus discípulos para Jerusalém. Por conta disso, enviou alguns mensageiros para fazerem os preparativos, os quais entraram em uma cidade samaritana, mas não foram bem recebidos, pois os samaritanos não desejavam ter a presença de Jesus  por ali. Se tratava de um povo que estava em conflito com os judeus, porque tinham uma convicção religiosa diferente. Os judeus evitavam qualquer tipo de contato com os samaritanos, e os acusavam de distorcer as escrituras sagradas. 

Sabendo da rejeição sofrida por Jesus, seus discípulos prontamente sugeriram: "Mestre, o senhor quer que invoquemos um raio do céu para acabar com eles?". Indagação que me soa familiar quando olho para os nossos dias, marcados por terreiros destruídos, gritos de caça às bruxas, invocação de guerras santas, boicotes infantis, anseio por armas, mortes. A familiaridade aumenta quando identifico que tais posicionamentos partem de pessoas que dizem ser seguidoras do Mestre de Nazaré. Pois é, qualquer semelhança, certamente não é mera coincidência. 

Diante da proposta violenta de seus discípulos, o Príncipe da Paz, por óbvio, os repreendeu: "Vocês não sabem de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las". Resposta que desestrutura todo muro construído por homens que insistem em não conviver com o diferente, em fazer de suas convicções morais, políticas, religiosas, a munição que precisam para destruir vidas. Se passaram mais de dois mil anos, e os que dizem estar perto do maior Mestre da Humanidade permanecem usando o divino como justificativa para a podridão dos seus corações egoístas, intolerantes, preconceituosos. 

Ao contrário do que esperavam, Jesus se relacionou com os samaritanos e derramou sobre eles o seu amor. Além disso, os exaltou em uma de suas parábolas, ao colocar um samaritano como alguém que teve sensibilidade suficiente para socorrer um indivíduo que estava ferido no caminho. Postura que, segundo a parábola, divergia dos judeus, que estabeleceram como prioridade os seus deveres eclesiásticos. Nisso, mais uma vez, o Mestre nos ensina que os seus seguidores tendem a colocar dogmas acima da vida, do humano. Nossa agenda está cheia de cultos, marchas, shows, subidas de montes, profecias, mas vazia do que realmente importa. E o Apóstolo Paulo já nos advertiu: nada disso adianta se nos falta amor! Nada disso importa se não somos humanos, altruístas, pacificadores, como Cristo foi e é. 

Tenho absoluta certeza, que existem inúmeros samaritanos da atualidade muito mais alinhados ao coração do Pai do que os doutores da Lei, e a minha oração é para que eu seja como eles. Sim, nesse mundo de "seguidores radicais", "loucos por Jesus" e afins, eu prefiro ser o bom samaritano. Humano, imperfeito, mas alinhado ao coração do Pai. 

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