sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Marcas

Conhecer a nós mesmos é nosso maior desafio, nossa maior viagem, nossa maior loucura e, ao mesmo tempo, nosso maior ato de sanidade. (Carlos Hilsdorf)

Estávamos ao redor da mesa, todos prontos para mais um almoço de domingo. Ao fundo, uma boa música que complementava o som de risos e boas prosas. Momentos assim renovam a alma e trazem a tona a verdade de que o melhor da vida é mesmo de graça. Foi nesse cenário que a minha mãe resolveu tirar algumas coisas da caixa das lembranças, e como molho em macarrão, derramou sobre nós muitas de suas memórias, sejam elas da infância ou do início da vida adulta. No entanto, no meio de uma dessas narrativas, algo chamou minha atenção de um jeito diferente, ela lembrou de sua vó, alguém a quem destinava tanto amor que o transbordar das lágrimas foi inevitável. Saudade.

É incrível, de forma involuntária e em variadas proporções, as pessoas que passam por nós deixam as suas marcas. Sejam boas ou negativas, elas se tornam parte do nosso mosaico. E a própria vida, com toda sua perfeição, se encarrega de selecionar o que fica e o que se apaga com o tempo. Ela tem seus motivos, sua inexplicável administração. Ainda bem que, geralmente, as boas marcas nos seguem por toda caminhada, e Dona Brasilina, como demonstra a vida da minha mãe, deixou as mais nobres  marcas em sua alma antes de partir para o outro lado da vida. Com gratidão, posso dizer que, mesmo sem ter tido a oportunidade de cruzar com ela no caminho, construí uma grande admiração por sua história. Conhecê-la é também me conhecer um pouco mais. 

Por vezes penso na ideia de que sou fruto de relacionamentos que envolveram tantas pessoas diferentes. Olho para os parentes mais próximos, nossos traços físicos, nossas tradições, sinais dos que nos antecederam. Quem eram? O que pensavam? De que forma encaravam a vida? Que tipo de riqueza existe na mais profunda raiz dessa árvore? Não sei se seria fácil ou mesmo possível adquirir respostas a tais indagações, mas procuro valorizar as oportunidades que tenho de ouvir um pouco mais sobre as marcas deixadas por eles. A vida é uma intimidadora imensidão. 

Um comentário:

  1. Que lindo e pareceu estar nessa mesa de domingo...Sai sempre tanta coisa do baú nessas horas.
    Adorei!
    Aproveito pra deixar um abraço, nessa hora em que encerro o ano nos blogs, pois receberemos nosso filho lá de tão longe e certamente, teremos muitas mesas assim, cheias de histórias! Volto em janeiro!abraços, chica

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