quarta-feira, 12 de abril de 2017

Lua

Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela tela, pela janela. Quem é ela? Quem é ela? Eu vejo tudo enquadrado, remoto controle. (Adriana Calcanhotto)

Lembro que na minha infância tirar foto não era tão comum, era sinônimo de ocasião especial, momento que merecia ser eternizado em um álbum físico, e revisitado sempre que quiséssemos reviver o registro. Volta e meia eu pegava todos os álbuns de casa e através deles via momentos que antecederam meu nascimento, minhas mudanças e a das pessoas que estavam ao meu redor, sorrisos, abraços, festas, viagens. Uma aula sobre o vivido. 

Hoje, com um smartphone em mãos, todo mundo é um incansável fotógrafo. Com esforço menor, momentos também são registrados, mas há menor probabilidade de se eternizarem, porque com a mesma facilidade da captura, há grande chance de ocorrer descarte definitivo. As fotografias atuais raramente se tornam físicas, e a revisitação do vivido se tornou dependente da tecnologia, basta, portanto, um problema técnico para que tudo se perca, é um problemão. 

Com a facilidade dos nossos dias, suprimos os malefícios da nossa rotina frenética - que, por exemplo, nos impulsiona a viver desatentos ao mundo - com as fotografias prontamente encontradas nas redes. Pra que olhar para os lados se com meu aparelho posso ver as árvores da praça? Pra que olhar para o céu se ele também está no meu Moto G? 

Mas na natureza existe uma senhora que, por vezes, frustra os fotógrafos da modernidade líquida. A lua nos surpreende com sua beleza, a propósito, ontem ela estava linda demais. E eu acho tão engraçado quando tentam registrá-la e não conseguem, tudo o que aparece é um ponto branco. Imagino-a dizendo: Acha que eu me arrumei toda esta noite para você facilitar a contemplação dos outros? Quem quiser me ver que saia de seus esconderijos, que vá para rua, que acione os freios, que caminhe contra a corrente dos últimos dias. 

O tempo passa, e como diz Lulu Santos, tudo muda o tempo todo no mundo. Mas a grandeza da criação permanece apontando o sentido da vida. Certamente, assim como as misericórdias do Eterno, ela se renova todas as manhãs, adaptando suas mensagens às atuais necessidades. Talvez por isso em tantos momentos o Criador nos direciona: Olhe para as estrelas, observe os animais, contemple os lírios do campo. Mais que beleza, há sabedoria, verdades que não podemos perder de vista. 

Um comentário:

  1. Olá Filipe
    Linda postagem, tudo o que Deus criou é espetacular. Abraços.

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