segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Amar é missão

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (I Coríntios 13:7)

Viver pode ser como abrir lentamente os olhos, tudo vai ficando mais nítido graças às vozes que ouvimos, aos livros que lemos, aos relacionamentos que conquistamos, às perdas, às decepções. Nesse processo evolutivo muitas das nossas crenças são deixadas de lado, por vezes nos envergonhamos da sequidão de nossas velhas ideias e do demasiado valor que dávamos ao que era embaçado. É duro abrir mais um pouco os olhos e perceber que compramos briga em nome do que não enxergávamos muito bem, a vida é nítida, tem cores vivas, e talvez seja uma pena perceber isso quando já é tarde demais. 

Complicado é notar que junto com as nossas velhas concepções queremos também abandonar ou desvalorizar quem ainda não consegue ver a vida da forma como a temos enxergado. Se fôssemos um dos personagens do Mito da Caverna de Platão, não voltaríamos para falar da realidade da luz, partiríamos em direção a ela e deixaríamos pra trás os que ainda se contentavam com as sombras. Ou então voltaríamos, mas com a altivez de quem precisa estar por cima. Não se deixe enganar, nós, de fato, precisamos ter o amor como mandamento, porque infelizmente ele não faz parte da nossa natureza. 

Amar é missão, parece que não há verdade nisso porque quando pensamos na nobreza de tal sentimento trazemos à memória pessoas que escolhemos amar. Mas podemos perceber que o buraco é mais embaixo quando nos deparamos com os que não pensam como nós, os que escolhem viver de forma oposta ao nosso estilo de vida, os que não têm nada a nos oferecer, nem mesmo amor. É um árduo desafio, precisamos conviver, nos colocar no lugar, lembrar que um dia éramos como elas (ou poderíamos ser), porque o amor está além do egoísmo, do individualismo, das nossas preferências. Amar é mandamento, é profundo, não se limita aos nossos frustrados conceitos. O amor é o esclarecimento que vai chegando conforme o movimento de nossas pálpebras, no fim, certamente estaremos convencidos de que vivê-lo é, de fato, a melhor opção. Que não seja tarde demais.

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