segunda-feira, 2 de maio de 2016

Cada um nos seus sapatos

Imagem: https://i.ytimg.com/vi/RMqO059jNR4/maxresdefault.jpg

Dias atrás assisti à comédia dramática "Trocando os Pés", que embora não seja tão louvável pela crítica, aborda questões interessantes, como a da especulação imobiliária tão discutida nos EUA após a crise de 2008, por exemplo. No entanto, a temática central está vinculada à vida de Max Simkin (Adam Sandler), um sapateiro solitário e visivelmente insatisfeito com sua condição que descobre que se usar determinada máquina de costura para consertar os sapatos de seus clientes e posteriormente usá-los, acabará adquirindo a mesma aparência física deles. Com tal descoberta, Max busca viver compulsivamente a vida de seus clientes, se embaraçando não apenas em seus problemas pessoais como também nos problemas dos respectivos donos dos sapatos usados. 

Diante das corriqueiras dificuldades dos nossos dias, não é incomum ver alguém com o mesmo grau de insatisfação do Max. Ao submergir em tal realidade, também não é raro o pensamento de que apenas a nossa vida é um deserto difícil de percorrer. O personagem em questão passou a olhar para seus clientes com a ambição de viver ao menos um pouco de suas vidas, porque cada uma delas aparentava ser menos penosa, seja por figurarem melhor aparência, seja por apresentarem melhores condições financeiras. Não há ficção aqui, bem como não há ficção quando Max percebe que o caminho trilhado por seus clientes também não é fácil, e que desejar tomar o lugar deles faz com que os fardos aumentem.

Tais reflexões consolidam duas importantes lições: A primeira delas, é a verdade de que nunca nos prometeram uma vida fácil. Em meio a um mundo de tantas teorias e crenças, nunca ouvi falar de alguém que se levantou externando a concepção de que viver é um parque de diversões. Jesus Cristo, quando nobremente pisou o nosso chão, com toda sinceridade e clareza nos disse que neste mundo teríamos aflições. Logo em seguida, porém, Ele nos disse para termos bom ânimo, pois é possível vencer. Sim, a vida é difícil mas em nós existe potencialidade para ultrapassar cada dificuldade. E a nossa vitória não está no abraço à ilusão de que existe vida melhor assumindo o lugar do outro, mas na ousadia de ser feliz apesar das contrariedades.

A segunda lição está relacionada à verdade de que ninguém está apto a viver em plenitude a vida de outrem. Os moldes dos nossos sapatos são extremamente diferentes, não há mera coincidência de numeração, de modo que jamais nos sentiremos confortáveis com o que não é nosso. Tal realidade afasta o sentimento de inveja, um dos motivadores para tantos males presentes no contexto em que estamos inseridos. Além disso, faz de nós pessoas mais compreensíveis em relação à postura dos outros, porque se prestarmos atenção, por trás dos maiores defeitos existem as maiores dificuldades que alguém precisa superar.

Se for para usar o calçado alheio, que seja para momentaneamente sentirmos o peso, o desconforto, e percebermos que o que realmente nos ajuda a trilhar este árduo caminho são os nossos próprios sapatos. 

5 comentários:

  1. Um filme interessante!
    Precisamos aceitar nossas imperfeições e crescer através delas, suprimindo-as.
    abraços

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  2. Interessante a comédia que assistiu... Deve ser uma reflexão muito boa!
    Gostei do escreveu, Filipe. Os privilégios e lutas são personalizados e cada um é responsável pelos seus passos/escolhas...
    Abraço e BOA 3ª FEIRA...

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  3. Oi Filipe! Pelo que você descreveu é um filme muito bom! A gente julga pelo que vê, mas a melhor maneira de julgar é calçar os sapatos da pessoa... cada um sabe as dificuldades que encara! Um abração Tetê

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  4. Filipe Oliveira
    Depois de ler o preclaro texto, ocorre-me dizer, que todos temos potencialidades de trilhar o nosso próprio caminho, ainda que em função de caminhar ao lado de alguém, a quem devemos agradar, para que também saiba tomar o seu rumo. No fundo todos fazemos parte, desta engrenagem do mundo.
    BRASIL: O SORRISO DE DEUS.
    Capitania de São Vicente
    Se comentar o post agradeço.
    http://amornaguerra.blogspot.pt/

    Abraço

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  5. Bela reflexão tirada do filme. Não o assisti, mas já imagino em quanta confusão ele se meteu.
    Durante essa semana conversei com uma amiga que sempre tem a ideia deste sapateiro, que a vida dos outros é mais fácil do que a dela. Que tudo de ruim acontece só com ela, que é uma "azarada".
    Sempre tenho muita paciência, mas precisei dizer-lhe umas verdades, para trazê-la a realidade que TODOS tem problemas e que assim como você citou, Jesus não disse que seria fácil a nossa vida nesse mundo, mas que estaria conosco todos os dias.
    Querido Filipe, um grande abraço e uma feliz semana.

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